Queridos papais e mamães (atuais e futuros!),

 

É com grande prazer que damos início as nossas publicações do “Fique por Dentro!”. A cada 15 dias, traremos um texto de linguagem simples e acessível sobre um tema importante para os cuidados com os nossos pequenos! E, para começar, que tal falarmos um pouquinho sobre a Febre Amarela, uma doença que estava restrita às matas e agora está nos tirando o sono?

Bom, o que é a Febre Amarela?

A Febre Amarela é uma arbovirose, termo usado para designar as doenças causadas por vírus e transmitidas por insetos. Nos últimos 70 anos, só haviam sido registrados casos de Febre Amarela silvestre, ou seja, aquela cuja transmissão se dá pelos insetos em ambiente de mata. Mais recentemente, tem-se registrado casos urbanos, transmitidos pelo mosquito do gênero Aedes (o mesmo da dengue, zika e chikungunya).

É uma doença caracterizada por diversos sintomas e eles surgem, geralmente, de 3-6 dias após a picada do mosquito (esse é o chamado tempo de incubação do vírus). É importante que fique claro que, felizmente, a maioria dos que se infectam, manifestam a forma leve, ou seja, com poucos sintomas: febre, dores musculares, calafrios, dor de cabeça, náuseas, vômitos e fraqueza, que são comuns a várias outras doenças. Dos que adquirem o vírus, aproximadamente 10-15% dos indivíduos irão desenvolver a forma grave (forma toxêmica), caracterizada por febre alta, icterícia (pele e mucosas de cor amarelada) e sangramentos, podendo levar ao óbito.

O diagnóstico da Febre Amarela é baseado em exames de sangue que procuram o vírus, seu material genético ou anticorpos que o sistema imunológico de uma pessoa produz após uma infecção.

Não existe um tratamento específico para a Febre Amarela. O tratamento baseia-se no uso de analgésicos, repouso, hidratação e acompanhamento hospitalar. É importante ressaltar que certos medicamentos devem ser evitados, como a aspirina e os anti-inflamatórios (ibuprofeno, cetoprofeno), pois podem aumentar o risco de sangramento. Os casos graves devem ser tratados em centros de referência, em unidades de terapia intensiva. É recomendado que nos primeiros dias de doença (5 a 7 dias) os doentes façam uso de repelentes, pois nesse período podem ser fontes de infecção para o Aedes (o mosquito pode se contaminar ao picar o doente e transmitir a doença para o próximo indivíduo picado!).

Não há nenhuma dúvida de que a vacina é a estratégia mais eficiente para conter o aumento do número de casos. No Brasil, existem duas formulações de vacinas – a da rede pública e a da rede particular. Os dados mostram que ambas as vacinas apresentam a mesma ação! Atualmente, o esquema vacinal contra a Febre Amarela, recomendado pelo Ministério da Saúde nas áreas endêmicas de doença no Brasil, consiste em UMA DOSE ÚNICA DA VACINA, tanto para adultos quanto para crianças, sendo a idade mínima de vacinação igual a 9 meses. Os estudos sugerem que a duração da proteção após uma dose da vacina é longa, provavelmente por toda a vida do indivíduo.

 

A vacina é administrada por via intramuscular ou subcutânea, na dose completa (0,5ml) em crianças de 9 meses a 2 anos, gestantes e indivíduos com HIV; e na dose completa ou fracionada (0,1ml) em crianças acima de 2 anos e demais adultos. Uma vez administrada, leva-se cerca de 10 dias para que o organismo responda, produzindo anticorpos em níveis que conferem proteção. Um dos itens que merecem atenção é o recebimento de diferentes vacinas ao mesmo tempo ou num curto período.

 

Para evitar interferência na proteção conferida pelas vacinas, a vacina para Febre Amarela não deve ser administrada junto à Tríplice Viral (contra sarampo, rubéola e caxumba) ou Tetra Viral (contra sarampo, rubéola, caxumba e varicela) em crianças menores de 2 anos de idade. A orientação é que recebam a dose da vacina contra Febre Amarela e agendem a vacina Tríplice ou Tetra Viral para pelo menos 30 dias depois. As demais vacinas do calendário podem ser administradas no mesmo dia!

O Ministério da Saúde recomenda a vacinação para os residentes de áreas com recomendação da vacina (Minas Gerais é uma delas!) e viajantes que se deslocam para essas áreas, com pelo menos 10 dias de antecedência da data da viagem. A população a ser vacinada é composta por indivíduos de 9 meses a 60 anos de idade. Adultos acima de 60 anos podem e devem ser vacinados, desde que estejam nas áreas de risco.

 

A grande questão é que os idosos tem maior chance de apresentarem doenças que, eventualmente, podem restringir o uso da vacina; por isso é indicada a avaliação médica antes de aplicar a vacina, para que ele possa identificar se a doença apresentada permite ou não a vacinação.

 

Não podem receber a vacina crianças abaixo de 9 meses de vida e indivíduos que apresentem doenças que afetem a sua imunidade (alguns indivíduos com infecção por HIV e pacientes em uso de medicações que deprimem a imunidade: quimoterapia, radioterapia ou corticóide em doses elevadas por mais de 14 dias). Indivíduos que apresentam reação alérgica leve ao ovo podem e devem receber a vacina; aqueles com reação grave devem ser avaliados pelo médico para receberem a vacina em ambiente com condições de atendimento de urgência/emergência. 

A vacina é, de maneira geral bem, tolerada. Mas por ser uma vacina feita de vírus vivo atenuado, uma pequena parcela que recebe a vacina (1 para cada 25 indivíduos) pode apresentar eventos adversos a partir do 3-4º dia da vacinação. Na sua maioria são eventos leves, tais como febre, dor de cabeça, dores musculares, náuseas e vômitos e poderão ser usados analgésicos comuns, como dipirona e paracetamol.

 

Eventos graves foram raramente associados à vacina. Entre 2007 e 2012, foi relatado apenas 1 caso grave para cada 250.000 doses administradas. Por essa razão deve-se colocar numa balança o risco-benefício de se receber a vacina e, sem dúvida alguma, o cenário que hoje vivemos aponta no sentido de que a balança é favorável à vacinação. É a melhor medida de contenção dessa epidemia!

 

ATENÇÃO AOS BEBÊS MENORES DE 9 MESES!

 

Bebês menores 9 meses, que não podem receber a vacina ainda, devem evitar as matas. A partir dos 6 meses, devem também ser protegidos com repelentes em locais de risco.

 

ATENÇÃO GESTANTES E LACTANTES!

 

Antes de mais nada, vamos deixar de lado a ideia de que gestantes são mulheres mais frágeis! No que se trata de Febre Amarela, não existe nenhuma evidência de que a doença seja mais grave ou mais comum nesse grupo de mulheres.

Então, por que não vacinar todas as gestantes? Bom, isso acontece porque o mecanismo da vacina consiste em multiplicar os agentes virais para deixar nosso corpo preparado e imunizado diante de um possível contato com o vírus. No entanto, como a nutrição do feto está intimamente relacionada com a circulação materna, existe a possibilidade de transmissão desses agentes virais para o bebê por meio da placenta e consequente desenvolvimento da doença.

 

Por isso, recomendamos que a vacinação, em qualquer idade gestacional, só deve ser realizada quando a viagem para zonas endêmicas (aquelas que tiveram casos da doença) não possa ser cancelada ou adiada ou no caso da gestante residir em áreas de casos confirmados da doença. A mesma recomendação é válida para mulheres que estão amamentando, lembrando que no caso de vacinação, o aleitamento materno deve ser suspenso por 10 dias (desde que o bebê esteja em aleitamento materno exclusivo, ou seja, para bebês menores de 6 meses), mas a produção de leite deve ser mantida para garantir o retorno à lactação.

E se você foi vacinada e não sabia que estava grávida, fique calma! Não há relatos de teratogênese (mal formação no bebê) ou comprovada doença fetal em gestantes que receberam a vacina indevidamente. E lembrem-se: uma das formas importantes de evitar as arboviroses transmitidas pelo mosquito Aedes, entre elas, a Febre Amarela, é o hábito do uso de repelentes, com preferência pela icaridina, nas áreas expostas do corpo.

Tudo que você precisa saber sobre Febre Amarela

Por Dra. Cibelle F. Louzada e Dra. Marcella Tropia (21-02-2018)

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